Ele abre a porta e eu saio. Ainda estou meio pasma com essa história, mas tudo bem, a única coisa que eu tenho que me focalizar, é ensinar e cuidar dela. E para começar, saber de inicial o seu nome.
- Tudo bem ... a culpa não é sua, quem iria imaginar que a menina que era pra você ter trazido estava morta.
Meu coração parou.Morta ???
- A menina era a última sobrevivente de uma cidadezinha chamada Dorf südlich, perto da cidade de Füssen ... – Ele dizia olhando profundamente em meus olhos, como se procurasse algum esclarecimento dos fatos, como se eu soubesse de mais alguma coisa – Ela morava com uma tia,e sua cidade foi invadida pelos franceses.Depois de matarem a maior parte da pequena população, eles fizeram um acampamento. A menina que foi uma sobrevivente,se escondeu nos escombros de uma casa totalmente arruinada, e ouviu todos os planos e próximos passos, que os franceses fariam...
- E... quantos anos a menina certa tinha ??
Perguntei, meio pasma. Tudo está tão confuso :
- A menina certa... – Richard me fitava,enquanto falava, e delicadamente ousou sua mão no meu ombro – Tinha nove anos.
Fiquei pasma. Então foi por isso que ele descobriu tão rápido que era a menina errada :
- Junto com ela estava um senhor, e sua netinha, de idade indeterminada. Ele parece ter também ouvido os planos, mais infelizmente, morreu tentando salvar as duas crianças dos franceses – Ouve uma pausa, na voz de Richard, e a única coisa que eu ouvia era a respiração pesada dele, cada vez mais próxima do meu ouvido – E pelo visto sua neta também morreu. E a menina andou até uma vila, onde pediu ajuda, o prefeito da cidade, o qual nos mandou uma carta contando do caso. E eu fiquei carregado de cuidar da menina.
Depois de um absoluto silencio, de ambas as partes, meu coração parou de bater, me levantei de um sobre salto e falei :
- Então a menina que eu trouxe, deve ser a neta, e ...
Richard me cortou, sua voz parecia elevada, e áspera quando pronunciou as seguintes palavras :
- Poupe-me de sua teoria – E acrescentou – Não importa mais a menina que você trouxe, falei com o presidente agora mesmo, e ele falou que se alguém te integrou essa menina, talvez ela seja de alguma ajuda.Agora a única coisa que eu quero que você face, é educar e ensinar essa menina, tudo o que você sabe. Quando ela estiver mais alfabetizada ela poderá nos servir. Agora vá.
irritado.Fiquei presa nos meus pensamentos de novo, hora !!! Ele odeia quando eu faço isso. Ótimo, pelo menos isso serve para irrita-lo :
- Ricarda ????
Percebo que ele me chamou, acho que eu me esqueci de sentar. E discretamente me dirijo para a cadeira, sendo seguida pelo olhar de irritação de Richard, e o da confusa menina. Quando me sento, ele coloca seus óculos sobre a mesa, e olha para a menina bem profundamente, seus olhos percorrem silenciosamente a aparência da menina, e seus trajes. Definitivamente, ele é pior do que eu pensava.
Enquanto seus olhos a analisavam cautelosamente, o rosto da menina parecia esmorecer, depois seus olhos se desviam, e me encaram. Agora eu estou ficando meio sem jeito. Por que ele está me olhando desse jeito, eu trouxe a menina certa não trouxe ?? Depois de uma minuto de silêncio, ele levanta e se dirige para a porta. Em poucos minutos Peter vem, e leva a menina da sala. Enquanto eu fico sozinha lá, imóvel.
Passaram se grandes e intermináveis minutos, quando percebi que eu não tinha nada mais o que fazer na sala, fiz menção de me levantar, quando de repente, sinto uma porta sendo fechada bruscamente atrás de mim. Por um instante, fico parada apenas encarando Richard, imóvel. Ele parece nervoso. Seus olhos me encaram, e eu sinto um certo arrepio. Ele volta para a mesa e se senta. Seja o que tiver acontecido, a culpa não foi minha :
- Você....
Ele parece quase estar explodindo de tanta raiva, seu rosto está vermelho e seus olhos estão em chamas, mesmo assim ele consegue acabar a frase :
- Me trouxe a menina errada.
Estou sem palavras, menina errada ??
- Achei que poderia confiar em você, era uma coisa tão simples, pegar a menina na ferrovia, e trazê-la. Simples não ???
Sua voz, estava cada vez mais elevada, ele havia saído da mesa e agora estava rondando em volta da minha cadeira :
- E o que você faz ???? Me traz a menina errada.
Sinto- me encolher, sem palavras. Como eu poderia ter trazido a menina errada ????
- Mas... você não me disse como era a menina – Me defendi – Você apenas disse “ Pegue a menina com um senhor, e depois a leve para cá”.
Por um instantes, achei que Richard iria me degolar. Mais ele me olhou profundamente, respirou fundo e falou :
Richard Hillebrand
“ Pela noite ele se pôs a caminhar
Tudo isso para poder pensar
Sua cabeça estava cheia de problemas
Cada um com seu próprio dilema”
Quando acabamos de comer, seguimos direto para a mansão dos Hillebrand, a menina estava totalmente ansiosa para ver a sua nova casa. Durante o percurso, ela me pediu para descrever cada detalhe, da mansão, minha boca já estava começando a ficar seca quando chegamos. Ela desceu da carruagem e ficou parada deslumbrada, seus olhos brilharam, e ela mal conseguia se mexer.
- Você vai ficar por aí ou vai entrar comigo?
Parecendo que ela acabou de sair de um surto, pega na minha mão e me acompanha até o hall de entrada. Quando entramos, ela fica mais paralisada ainda, principalmente quando vê Peter, nosso mordomo, totalmente elegante vindo em nossa direção. Depois de lançar um breve olhar para a menina, se dirige a mim:
- Srta.Hillebrand ele está a sua espera.
- Estou indo Peter.
E nós duas seguimos para o Büro Familie (escritório familiar). Bati na grande porta de madeira, que fica no primeiro andar da mansão. Nosso escritório ocupava a maior parte do andar, era ele e mais três quartos de hospedes. Um pouco depois uma voz me mandou entrar, e foi quando vi Richard, recostado na cadeira, com as pernas elegantemente cruzadas, debruçado contra um grande livro grosso. Quando fecho a porta, ele olha para a menina e depois para mim. Sério como sempre,lógico, e um olhar de indiferença irritante. Percebo que a menina ficou meio envergonhada, e tímida, coisa que comigo não foi bem assim :
- Podem se sentar.
Ele diz, e a garota casualmente obedece. Hora!! Ele tem que ser tão indiferente, podia ser mais agradável, e dizer um olá animado,e oferecer pelo menos uma xícara de chá, ou de chocolate para a menina, para mim não precisa que eu já estou acostumada, mais custa ser um pouquinho mais gentil ??? De repente meu olhar cruza com o de Richard, que me olha meio
E antes que eu pudesse responder pelo comprimento, ele fala antecipadamente:
- Bom a menina está entregue em boas mãons_ Dá um amplo sorriso e fala: - Boa sorte!
E se retira deixando eu e a garota sozinhas naquela ferrovia, agora um pouco vazia. Bem que Richard me disse que seria um encontro rápido, mais eu não sabia que seria tão rápido. De repente sinto uma pequena mão, puxando meu sobretudo e olho para a bela menininha que está do meu lado:
- Estou com fome...
- Então vamos. Vou levar você para comer algo.
Estendo a minha mão para ela, que me dá um largo sorriso de satisfação. Enquanto nós duas saímos da estação de trem juntas, a carruagem está a nossa espera. O que eu achei mais estranho nisso tudo, foi o deslumbramento que ela olhou a carruagem como se nunca tivesse visto nada parecido.Sentou-se no estofado e ficou olhando para fora, totalmente maravilha. Pobrezinha, se soubesse o que se passa depois daquela bela vista de Berlim de noite. Se ela pudesse entender, das explosões, mortes e outras coisas que se banzeia a cidade, em terras distantes da Alemanha. Por falar nisso Richard me falou sobre uma possibilidade de nossa capital ser invadida. Se isso acontecer teríamos que viajar para muito longe. Aposto que ela não entenderia nada. Tudo bem mesmo!!! Crianças não nasceram para entender essa coisas, nasceram para viver em um mundo inocente e é assim que tudo deve continuar.
Quando percebo, já chegamos a Kaffee und Unternehmen,(café e companhia), descemos e ela corre para vitrine admirada com tantos doces e guloseimas.
- Srta.Hillebrand, o que é aquela comida?
E aponta no último doce,da primeira fileira da vitrine:
- Kekse mit Schokolade ???? Você nunca comeu um desses???
Ela balança a cabeça negativamente:
- Bom sempre a uma hora para tudo.
Pego na mão dela e a conduzo para dentro da cafeteria.
Pensamentos de Ricarda Hillebrand
“Ao longe,naquelas ruas as pessoas corriam sem parar
Pobre delas que não sabiam que tudo tendia á piorar
Os barulhos das bombas eram fáceis de escutar
E pelas ruas o pesadelo só estava a começar “
Quando cheguei na porta da ferrovia, senti meu coração pular, o trem estava prestes a chegar. Aí céus Richard, tinha que estar aqui agora, ele sabe que eu não tenho a mínima experiência com crianças. Bom mais agora já foi, ela deve chegar com muita fome,e muito assustada também. Oh meu deus! Maldita guerra! Só deus sabe o que vou passar com uma criança de seis anos, nervosa, triste e com medo. E ainda por cima a maldita guerra.
Volto dos meus pensamentos, quando ouço um barulho de sino, anunciando a chegada de um trem. Levanto minha cabeça, e vejo um trem parando. Dou um longo suspiro, e agora... bom e agora seja que deus quiser. A porta do trem abre e sai os passageiros, dentre eles um menina de cabelos loiros e lisos, meio gordinha para seus pequenino tamanho, acompanhada de um senhor, de meia idade,alto e magro, aquele sem duvida devia ser o Sr.Bart, tive boas recomendações sobre sua pessoa. Quando volto a olhar para eles percebo que estão vindo em minha direção. Hò! E agora o que farei ??? Devo sorrir ou permanecer séria?? Não dá tempo para decidir, estão se aproximando ... e segundos depois ouço uma voz calma e sorridente:
- Srta. Hillebrand ???
Sinto meu rosto se abrindo em um longo sorriso, e depois olho para a criança,e ele se intensifica mais ainda. Que adorável ela é... e está sorrindo para mim, realmente ela é um amor. E de repente eu me lembro que eu devia ter respondido o cumprimento do Sr. Bart, olho de volta e digo:
- Sim sou eu!
- Prazer em conhece-la.
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